Que há em comum entre Betinho, Gleisi Hoffman, Dilma
Roussef, José Dirceu, José Serra, Lindberg Farias, Rúben César, para mencionar
apenas alguns exemplos de personalidades, com diferentes orientações e formas
de ação políticas? Todos iniciaram sua militância no movimento estudantil.
Mas os movimentos estudantis não foram apenas celeiros de
futuros políticos. Foram também importantes protagonistas em momentos decisivos
da história mundial e nacional. A nível internacional, destaca-se o episódio
conhecido como “mai chaud” (maio quente), quando os estudantes franceses saíram
às ruas em 1968 para empurrar uma nação, quando os poderosos sindicatos
começavam a dar sinais de cansaço. No Brasil, já em 1947, a UNE organizava a
campanha “O Petróleo é Nosso”, que resultou na criação da Petrobrás, e, mais
recentemente, deu o último empurrão para viabilizar o impeachment do presidente
Collor.
Não é à toa que os poderosos temem tanto os estudantes e,
quando podem, investem com tanta fúria contra suas organizações e as
universidades. O noticiário internacional está abarrotado de ações covardes
desse tipo. Entre nós, os militares temiam tanto a UNE em 1964 que uma das
primeiras providências para se garantir no poder foi saquear e incendiar sua
sede, já dia 1º de abril, e dia 9 foi a vez da Universidade de Brasília ser
violentada. E o regime prosseguiu produzindo em profusão mártires jovens e
intelectuais.
Mas a ditadura acabou, veio a anistia, e a violência contra
os jovens tomou uma forma ainda mais perversa, pois, se não mais atenta contra
seus corpos físicos, visa sua inteligência e capacidade de sonhar, sua essência.
Uma recente pesquisa intitulada O Sonho Brasileiro, desenvolvida pela Box,
patrocinada pelo Itaú e Pepsi, com apoio da Rede Globo, chega a essas jóias de
conclusões sobre a visão dos jovens brasileiros entre 18 e 24 anos:
“Ao contrário das representações de sonhos dos anos 50, 60 e 70, essa geração não os conecta apenas a questões grandiosas, realizáveis apenas depois de uma revolução ou ruptura radical com o sistema no futuro.” e “Ao comparar seus sonhos com os da geração dos pais, alguns jovens afirmam que eles tinham sonhos grandes demais, que acabaram nunca acontecendo e gerando frustração. Por isso, buscam sonhar com o que é possível de ser.“
Na mesma toada, as igrejas vão também desistindo de anunciar um Reino de Deus que nunca chega, para não “frustrar” os fiéis, preferindo prometer prosperidade, bem mais “possível de ser”. Uma geração sem utopia, finalmente? Chegamos ao fim da História?
“Ao contrário das representações de sonhos dos anos 50, 60 e 70, essa geração não os conecta apenas a questões grandiosas, realizáveis apenas depois de uma revolução ou ruptura radical com o sistema no futuro.” e “Ao comparar seus sonhos com os da geração dos pais, alguns jovens afirmam que eles tinham sonhos grandes demais, que acabaram nunca acontecendo e gerando frustração. Por isso, buscam sonhar com o que é possível de ser.“
Na mesma toada, as igrejas vão também desistindo de anunciar um Reino de Deus que nunca chega, para não “frustrar” os fiéis, preferindo prometer prosperidade, bem mais “possível de ser”. Uma geração sem utopia, finalmente? Chegamos ao fim da História?
Diante dessa realidade assustadora, os organizadores do
Enec83, que já experimentaram a alegria de testemunhar a concretização de
muitos sonhos de sua geração e que, mesmo chegando aos 50, ainda acham
inaceitável aquilo que lhes é apresentado como possível, na esperança de evitar
a materialização desse abominável “sonho brasileiro”, oferecem este blog aos
jovens que teimam em permanecer jovens, para que se encontrem, troquem
experiências, compartilhem vitórias e derrotas e retomem a construção de um
mundo aceitável.

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